Supercapitalismo: a transformação da sociedade.
Por: Ladislau Dowbor
Já fizemos aqui uma nota sobre um livro anterior de Robert Reich, “O futuro do sucesso”, de 2001, que analisa dominantemente as relações do mundo do trabalho. O presente estudo, “Supercapitalism”, é mais ambicioso, ao focar o conjunto das nossas relações econômicas, sociais e culturais, mas parte do mesmo capital de conhecimento que lhe foi dado nos anos que passou tentando implementar uma política mais digna nas relações econômicas, no quadro do governo Clinton. Reich sente na ponta dos dedos como se dão as estruturas de poder realmente existentes no que chamou de Supercapitalismo.
Este supercapitalismo, na realidade, é simplesmente o vale-tudo econômico e financeiro que se instalou no quadro do que temos chamado de globalização, e cuja lógica interna o autor destrincha de maneira impressionantemente coerente. Não é aqui um comentário simpático sobre um livro simpático: Reich nos traz realmente uma compreensão das dinâmicas, com inúmeros exemplos práticos de empresas e comportamentos bem documentados, e o tipo de desafios que enfrentamos torna-se muito mais claro. Além do mais, Reich escreve de maneira excepcional: um comentarista do San Francisco Magazine escreveu sobre esta obra: “Reich faz parte de uma espécie muito exótica: um economista que sabe escrever”.
Reich parte dos bastidores: não vai culpar Margareth Thatcher, Ronald Reagan ou Milton Friedmann pelo fim dos Anos Dourados (1945-1975, que ele aliás qualifica de anos “não tão dourados”), e sim vai buscar as causas nas transformações tecnológicas, na globalização resultante, e no vale-tudo das guerras intercorporativas que de certa forma aniquilou as capacidades dos governos fazerem política econômica no sentido amplo. E o autor analisa extensamente a base política para este processo: o consumismo dos prósperos, que falam mal das truculências da Wal-Mart mas aproveitam os seus preços, e o interesse dos investidores que adoram o meio-ambiente mas compram ações da Exxon-Mobile porque rendem mais.
Gerou-se assim um esquizofrenia social, na medida em que como consumidores queremos o melhor negócio, como investidores o melhor retorno, enquanto como cidadãos queremos uma sociedade decente e sustentável. No centro da dinâmica, temos a apropriação dos políticos através do financiamento privado das campanhas, e a monopolização da agenda do congresso e do executivo pelos lobbies dos grandes grupos empresariais, com as suas gigantescas campanhas (a indústria farmacêutica contra a regulação dos medicamentos, da indústria da saúde contra a saúde pública etc.).
O mecanismo de mercado, que sobrevivia nos “Anos não tão dourados” mediante acordos relativamente equilibrados entre empresas, Estado e sindicatos, alimentando uma ampla classe média, já não nos protege. Wal-Mart (e outros tantos) esmagam os produtores ao usar o seu poder para reduzir os prêços na origem, e navegam na satisfação dos compradores e dos acionistas. Os jornais louvam. Os consumidores se lambuzam. Gera-se uma classe de rentistas prósperos e a correspondente concentração de renda. O meio-ambiente sofre e o consumismo leva a impasses planetários. Mas o baile continua.
O espaço político local de regulação desaparece. “Pittsburgh já abrigou as fábricas e operários que a Alcoa então precisava. Mas agora, esses tipos de bens podem ser encontrados em qualquer lugar, porque as cadeias globais de suprimentos da Alcoa os fornecem sem esforço nenhum. Executivos da empresa negociam rotineiramente com o mundo todo. Tudo o que a companhia precisa pode ser encontrado em Nova York, onde os executivos da Alcoa têm acesso imediato aos melhores bancos, advogados, consultores e profissionais de comunicação. Esse quadro de especialistas, junto com o time da Alcoa, implanta uma cadeia global de suprimentos e colocam no mercado os produtos e serviços da companhia de forma a satisfazer os investidores (representados por Wall Street) e os consumidores da Alcoa (representados pelo Wal-Mart e outras grandes redes varejistas) na sua luta diária para obter grandes ganhos”. (119)
Reich, por experiência adquirida, mas também por pesquisa, tem forte desconfiança de que os comportamentos irão mudar pela boa vontade das corporações. Inclusive, segundo ele, porque os investidores “não sabem ou não se importam”(176). O autor constata que “A maioria dos ‘fundos socialmente responsáveis’ conta com a participação de praticamente todas as grandes empresas em uma típica carteira de fundo mútuo. Em 2004, trinta e três fundos socialmente responsáveis estavam ligados às ações do Wal-Mart, vinte e três ao Halliburton, quarenta à ExxonMobil, e quase todos à Microsoft, em sua tentativa de resistir ao controle de mercado. No início dos anos 2000, muitos possuíam ações da Enron, da WorldCom e da Adelphia, e nenhuma dessas empresas eram conhecidas por prestarem serviços públicos.”(177)
Malvadeza das corporações? Não, lógica do sistema. Permite remunerar bem os acionistas e oferece bons preços aos consumidores. Isto articula a poderosa minoria dos que concentram ações, e uma classe mais ampla de afortunados que têm capacidade de compra. E um CEO que não alimentar estes interesses perde o cargo. A solução não está (ou não apenas) na empresa ser decente, mas em haver leis que assegurem que esta decência seja respeitada, e não dependa da boa vontade passageira de um executivo. Inclusive, porque na dinâmica atual do mercado, quem incorrer em custos maiores por respeitar determinados valores sociais, vai perder mercado, e logo perder o emprego.
Reich tem aqui um surto de sinceridade: “Por muitos anos tenho pregado que responsabilidade social e lucro são conquistados no longo prazo. Isso porque uma empresa que respeita e valoriza seus funcionários, a comunidade e o meio ambiente certamente ganha o respeito e a gratidão dos funcionários, e de toda a comunidade – o que, eventualmente, ajuda o bottom line. Mas eu nunca consegui provar essa proposição, nem encontrar um estudo que a confirme.” (171)
As soluções, segundo Reich, não estão na recuperação da ética corporativa, mas no resgate da capacidade do Estado negociar os pactos necessários para uma sociedade mais equilibrada. Isto envolve, antes de tudo, tirar o dinheiro corporativo de dentro das campanhas eleitorais, o dinheiro do lobby do gabinete dos senadores e dos juízes, resgatando um equilíbrio que desapareceu, entre as nossas dimensões como consumidores, aplicadores financeiros, e cidadãos.
A perda da nossa dimensão cidadã leva à deterioração dos nossos interesses como sociedade, e exacerbação dos nossos interesses como indivíduos. “Se a maioria das pessoas sempre tem duas opiniões sobre o Supercapitalismo, porque então o lado dos consumidores-investidores sempre ganha? A resposta é que os mercados se tornaram extremamente eficientes em oferecer as melhores ofertas para os desejos individuais, mas são muito ruins em atingir os objetivos que gostaríamos de alcançar juntos. Enquanto o Wal-Mart e Wall Street agregam as exigências dos investidores e consumidores em formidáveis blocos de poder, as instituições que agregam os valores dos cidadão estão caindo.” (126)
Alternativas? São variadas e interessantes, e aqui aflora o ministro do trabalho que foi: “A única maneira para os cidadãos vencerem os consumidores e investidores em si mesmas é por meio de leis e regulações que façam de nossas compras e investimentos uma escolha ao mesmo tempo social e pessoal. Uma mudança na legislação trabalhista que facilite a negociação de melhores condições para os trabalhadores pode, por exemplo, aumentar ligeiramente o preço de produtos e serviços que se compra - especialmente nos serviços locais que não fazem parte da concorrência global. Meu consumidor interior não vai gostar muito disso, mas o cidadão em mim acredita que esse é um preço justo a se pagar. Eu também defendo um pequeno imposto sobre as vendas de ações, com o objetivo de diminuir ligeiramente o movimento de capitais para que as pessoas e as comunidades tenham um pouco mais de tempo para se adaptar às novas circunstâncias. Isso poderia reduzir o retorno no meu fundo de aposentadoria por uma pequena fração, mas o cidadão em mim acha que vale a pena. Pela mesma razão, parece-me que deveria haver “disjuntores” para prevenir que o número de trabalhadores em uma empresa grande e rentável caia mais do que uma certa proporção no decorrer de um ano.” (127)
“Eu não iria tão longe na re-regulação do setor de transportes aéreos ou em estabelecer um livre comércio com a China e a Índia – isso custaria-me muito mais como consumidor – mas eu apoiaria mais um seguro-desemprego combinado com um seguro-salarial e treinamento profissional para aliviar a dor dos trabalhadores que sofrem com as consequências da desregulamentação do comércio. E eu acho que os tratados comerciais deveriam exigir que todas as nações participantes permitam que seus cidadãos organizem sindicatos e estabeleçam salários mínimos, que seriam a metade dos seus ganhos médios. Eu também apoiaria uma licença familiar remunerada para que os trabalhadores possam atualizar seus conhecimentos ou terem tempo para cuidar de um recém-nascido ou de um parente doente. Estas disposições podem acabar por me custar algum dinheiro, mas o cidadão em mim acredita que elas valem o preço. Não sei como vamos criar bons empregos de classe média se nossas escolas não forem muito melhores – o que exigirá pagamento bom o suficiente para atrair jovens homens e mulheres talentosos para as salas de aula do nosso país (a lei da oferta e da procura não foi revogada na porta da escola) e contratar mais professores para que menos crianças fiquem em cada sala de aula. Como pagar isso? Por meio de um sistema fiscal mais progressivo. O salário líquido de CEOs, banqueiros, gestores de fundos e celebridades chegou a um nível tão astronômico que um imposto mais elevado sobre a remuneração não desencorajaria as pessoas talentosas de perseguir esses trabalhos. Finalmente, eu dissociaria a saúde e o trabalho, e utilizaria a poupança fiscal – lembre-se que um plano de saúde pago pelo empregador é um benefício livre de impostos – para dar acesso ao seguro saúde a todos, sem exceção.”
Há muitas outras sugestões no texto. No conjunto, buscam o reequilibramento geral do sistema através do resgate da autonomia e capacidade negociadora do Estado, e do resgate da nossa dimensão cidadã, relativamente às nossas dimensões como consumidores e aplicadores financeiros. A meu ver, trata-se de um livro de fundamental importância. Li durante um fim de semana, texto bem escrito se lê com prazer, e o objetivo do livro, aliás, é justamente devolver esta dimensão às nossas vidas.
Ladislau Dowbor, é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, professor titular da PUC de São Paulo e da UMESP, e consultor de diversas agências das Nações Unidas. É autor de “Democracia Econômica”, “A Reprodução Social”, “O Mosaico Partido”, pela editora Vozes, além de “O que Acontece com o Trabalho?” (Ed. Senac) e co-organizador da coletânea “Economia Social no Brasil“ (ed. Senac) Seus numerosos trabalhos sobre planejamento econômico e social estão disponíveis no site http://dowbor.org'
sábado, 7 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Amanhã.
O Presidente do Senado Federal,
Senador José Sarney,tem a honra de convidar para a palestra
“Relações China / América Latina:Aprofundando os laços de cooperação para um futuro melhor”,a ser proferida pelo Excelentíssimo Senhor Jia Qinglin,Presidente do Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, a realizar-se no dia 26 de novembro de 2009, quinta-feira,
às 11h30, no Auditório Petrônio Portella, anexo II do Senado Federal.
Favor confirmar presença no endereço eletrônico
srpeventos@senado.gov.br,
especificando o evento, pelos telefones
(61) 3303.1919/3344 ou pelo fax 3303.1067
A convite do Exmo. Sr. Senador José Sarney, Presidente do Senado Federal do Brasil, O Exmo.Sr. Jia Qinglin, Presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), realizará uma visita oficial amistosa ao Brasil de 25 a 30 de novembro do ano corrente e proferirá uma palestra aos senadores e convidados às 11:30 de 26 de novembro no Auditório Petrónio Portela do Senado Federal.
A CCPPC é orgão importante da cooperação multipartidária e consulta política dirigida pelo Partido Comunista da China e forma importante da prática da democracia socialista na vida política da China. A CCPPC tem como funções principais a consulta política, a supervisão democrática, a participação e discussão política. A CCPPC é composta por representantes do Partido Comunista da China, os 8 partidos democráticos, pessoas sem filiação partidária, organizações populares, grupos étnicos, diversos setores sociais, compatriotas de Taiwan, Hongkong e Macau, compatriotas residentes no exteior retornados à pátria e etc. A CCPPC tem como estabelecimentos o Comité Nacional e Comités Locais, cujos mandatos são de 5 anos. O atual Presidente do Comité Nacional é o Exmo. Sr. Jia Qinglin, quarto colocado dos dirigentes do Estado da China.
O Exmo. Sr. Presidente Jia Qinglin vai apresentar, no seu discurso, as conquistas alcançadas pela República Popular da China nos 60 anos, fazer a retrospectiva a história do desenvolvimento das relações entre a Nova China e a América-Latina, avaliar a Parceria Estratégica China-Brasil, e analisar, no contexto de situação internacional atual, o significado e as expetativas de intensificar a cooperação de benefício mútuo entre a China e a América-Latina, em particular entre a China e o Brasil.
Senador José Sarney,tem a honra de convidar para a palestra
“Relações China / América Latina:Aprofundando os laços de cooperação para um futuro melhor”,a ser proferida pelo Excelentíssimo Senhor Jia Qinglin,Presidente do Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, a realizar-se no dia 26 de novembro de 2009, quinta-feira,
às 11h30, no Auditório Petrônio Portella, anexo II do Senado Federal.
Favor confirmar presença no endereço eletrônico
srpeventos@senado.gov.br,
especificando o evento, pelos telefones
(61) 3303.1919/3344 ou pelo fax 3303.1067
A convite do Exmo. Sr. Senador José Sarney, Presidente do Senado Federal do Brasil, O Exmo.Sr. Jia Qinglin, Presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), realizará uma visita oficial amistosa ao Brasil de 25 a 30 de novembro do ano corrente e proferirá uma palestra aos senadores e convidados às 11:30 de 26 de novembro no Auditório Petrónio Portela do Senado Federal.
A CCPPC é orgão importante da cooperação multipartidária e consulta política dirigida pelo Partido Comunista da China e forma importante da prática da democracia socialista na vida política da China. A CCPPC tem como funções principais a consulta política, a supervisão democrática, a participação e discussão política. A CCPPC é composta por representantes do Partido Comunista da China, os 8 partidos democráticos, pessoas sem filiação partidária, organizações populares, grupos étnicos, diversos setores sociais, compatriotas de Taiwan, Hongkong e Macau, compatriotas residentes no exteior retornados à pátria e etc. A CCPPC tem como estabelecimentos o Comité Nacional e Comités Locais, cujos mandatos são de 5 anos. O atual Presidente do Comité Nacional é o Exmo. Sr. Jia Qinglin, quarto colocado dos dirigentes do Estado da China.
O Exmo. Sr. Presidente Jia Qinglin vai apresentar, no seu discurso, as conquistas alcançadas pela República Popular da China nos 60 anos, fazer a retrospectiva a história do desenvolvimento das relações entre a Nova China e a América-Latina, avaliar a Parceria Estratégica China-Brasil, e analisar, no contexto de situação internacional atual, o significado e as expetativas de intensificar a cooperação de benefício mútuo entre a China e a América-Latina, em particular entre a China e o Brasil.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
MST - Ontem, Hoje e amanhã.
Uma CPI contra a Reforma Agrária e os interesses do Brasil!
Escrito por João Antonio Felício, Secretário de Relações Internacionais da CUT
03/11/2009
Por que mais uma CPI para investigar um movimento social que tem contribuído enormemente com o país ao apontar os problemas que a concentração de terras gera? Ainda mais frente a uma realidade onde segundo a FAO um bilhão de pessoas passam fome no mundo e muitas outras procuram por um trabalho decente?
Certamente esta CPI orquestrada pela bancada ruralista e pelos setores de direita do Congresso Nacional tem como objetivo principal impedir que sejam atualizados os índices de produtividade agrícola em vigor, que atualmente levam em conta dados do censo agropecuário de 1975. Muitas coisas mudaram no meio rural nos últimos 34 anos, não havia sementes geneticamente modificadas, máquinas agrícolas com comandos eletrônicos e muito menos ferramentas como o GPS e previsão do tempo precisa como temos hoje.
Há 30 anos o setor agrícola tomava conhecimento dos pesticidas, venenos e outras tecnologias desenvolvidas por companhias multinacionais para fins militares que, com o pós-guerra, encontravam como destino o uso na agricultura.
Esperamos o dia em que aconteça uma CPI para investigar o financiamento do agronegócio, os prejuízos ambientais e sociais gerados por este modelo concentrador de terras e monoculturas utilizado pelas elites agrárias de nosso Brasil.
É estarrecedor que uma empresa privada, com o único objetivo de obter lucro, produza laranjas em uma área pública, reclamada pela justiça e pelo INCRA. Estamos falando de 10 mil hectares de terras públicas e 15 mil hectares de terras improdutivas, no interior do Estado de São Paulo, e que se destinadas à reforma agrária estariam gerando alimento, trabalho e vida.
As imagens que a grande mídia divulgou à exaustão foram colhidas momentos após a saída do MST da área, portanto não existe a certeza de se trata realmente de uma ação de integrantes do movimento ou um "factóide midiático", questão que necessita de uma apuração mais detalhada antes da execração pública de alguns integrantes do movimento.
Por estas razões, manifestamos nosso total apoio e solidariedade ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. O MST é um movimento reconhecido internacionalmente e que muito tem contribuído com o desenvolvimento do Brasil e muito ainda vai contribuir para o desmoronamento das estruturas agrárias da época de um país colonial e subserviente aos interesses externos.
Caminhamos juntos para a construção de um novo Brasil, soberano, com democracia, justiça, trabalho, igualdade e pão!
Escrito por João Antonio Felício, Secretário de Relações Internacionais da CUT
03/11/2009
Por que mais uma CPI para investigar um movimento social que tem contribuído enormemente com o país ao apontar os problemas que a concentração de terras gera? Ainda mais frente a uma realidade onde segundo a FAO um bilhão de pessoas passam fome no mundo e muitas outras procuram por um trabalho decente?
Certamente esta CPI orquestrada pela bancada ruralista e pelos setores de direita do Congresso Nacional tem como objetivo principal impedir que sejam atualizados os índices de produtividade agrícola em vigor, que atualmente levam em conta dados do censo agropecuário de 1975. Muitas coisas mudaram no meio rural nos últimos 34 anos, não havia sementes geneticamente modificadas, máquinas agrícolas com comandos eletrônicos e muito menos ferramentas como o GPS e previsão do tempo precisa como temos hoje.
Há 30 anos o setor agrícola tomava conhecimento dos pesticidas, venenos e outras tecnologias desenvolvidas por companhias multinacionais para fins militares que, com o pós-guerra, encontravam como destino o uso na agricultura.
Esperamos o dia em que aconteça uma CPI para investigar o financiamento do agronegócio, os prejuízos ambientais e sociais gerados por este modelo concentrador de terras e monoculturas utilizado pelas elites agrárias de nosso Brasil.
É estarrecedor que uma empresa privada, com o único objetivo de obter lucro, produza laranjas em uma área pública, reclamada pela justiça e pelo INCRA. Estamos falando de 10 mil hectares de terras públicas e 15 mil hectares de terras improdutivas, no interior do Estado de São Paulo, e que se destinadas à reforma agrária estariam gerando alimento, trabalho e vida.
As imagens que a grande mídia divulgou à exaustão foram colhidas momentos após a saída do MST da área, portanto não existe a certeza de se trata realmente de uma ação de integrantes do movimento ou um "factóide midiático", questão que necessita de uma apuração mais detalhada antes da execração pública de alguns integrantes do movimento.
Por estas razões, manifestamos nosso total apoio e solidariedade ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. O MST é um movimento reconhecido internacionalmente e que muito tem contribuído com o desenvolvimento do Brasil e muito ainda vai contribuir para o desmoronamento das estruturas agrárias da época de um país colonial e subserviente aos interesses externos.
Caminhamos juntos para a construção de um novo Brasil, soberano, com democracia, justiça, trabalho, igualdade e pão!
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
A Crise
A crise de 2008
Luiz Eduardo Wanderley
In "Alternativas à Crise" Editora Cortez.
comentários em italico é de minha responsabilidade.
Crise = ruptura, fratura, desconfiança, pânico, pessimismo, sentimento emocional, transição, conflito, tensão; pode atingir todas as dimensões da sociedade – econômicas, políticas, sociais, culturais, religiosas.
A crise pode ser: 1) estrutural ou conjuntural; 2) parcial ou sistêmica; 3) curta, media ou longa duração.
A conjuntural e parcial são permanentes, com impactos maiores ou menores.
Já a estrutural e sistêmica abalam os alicerces, os fundamentos, os valores, as interpretações, e são mais esporádicas.
E a crise estrutural ou conjuntural parcial e de media duração? O que muda na sociedade neste quadro de crise? A crise sistêmica e de media duração o que gera no meio social?
Existe crise conjuntural e sistêmica? O casamento! Ou a própria vida é crise conjuntural e estrutural sistêmica e de longa duração? Se for verdade a premissa, não devemos temer ou evitar a crise, pois faz parte e é essencial ao ser humano.
A crise atual é interpretada de forma generalizada que é estrutural e atinge pilares básicos do neoliberalismo. Mas é preciso ter cautela sobre as respostas e os efeitos da crise, pois interpretações convergem e divergem espetacularmente.
No campo dominante a crise é sistêmica, necessita de regulação dos mercados financeiros, o Estado deve acudir o sistema bancário, não se deve combater o liberalismo, o capitalismo será mais forte. O cassino das bolsas continua a propiciar ganhos extraordinários através da especulação financeira e não da produção. Para eles basta regular e dar trilhões de dinheiros aos bancos e o sistema estará salvo, com a volta da confiança e da normalidade do sistema falido. Suspiram e acenam com a necessidade de um crescimento mais justo e humano, com boa governança, mais liberdade e menos pobreza e instabilidade. Mas não querem pagar a conta de modo algum, quem deve pagar são os bilhões de pobres do planeta.
Assim é fácil, muito fácil cometer erro e quem paga por esse é o vizinho. Penso que são uns grandes caras de pau os defensores da tese. Não falam em novo conceito de propriedade, não falam em fortalecer o setor produtivo, não fala em novo padrão de consumo, não falam em Estado forte para combater as grandes multinacionais, não falam em quebrarem patentes, não falam em novo conceito de trabalho e sua remuneração melhor diante da intensidade, enfim, nada de inovar ou repartir bens, direitos e propriedades. Nada de concreto é proposto como elevação da tributação dos ricos, quebra dos paraísos fiscais, limite de ganhos e de acumulo de riqueza. Conceitos como solidariedade tributária, igualdade de oportunidades e limites nos acúmulos de renda e propriedade, respeito sincero e proativo em favor do ser humano. Não são considerados e nem mencionados por estes grandes iluminados.
Nos EUA estimasse que fosse preciso 1,5 trilhão para recapitalizar o sistema bancário. No dia 21 de abril o FMI estima que são preciso 4,5 trilhões para salvar os bancos nos EUA, Europa e Japão. Georges Soros o grande defende que é preciso ter um banco bom e firme e outro que receba os papeis podres dos demais. Não podem ter prejuízos estes povos bons e generosos do mundo financeiro. Abnegados do ter.
O mundo, na visão do autor, esta dividido entre dominantes e dominados; pobres e ricos. Esta é a melhor forma de dividir a sociedade mundial? Penso que sim. Melhor do que raça ou naturalidade.
Caso curioso é o da Suíça e a tolerância dos poderosos com sua estratégia de crescimento econômico que á o esconderijo do dinheiro sujo gerado no planeta. Até a crise atual o paraíso fiscal era tolerado e estimulado = liberdade do dinheiro pelo mundo. Esta estratégia é como a do petróleo hoje no Brasil, ou seja, burra.
No campo dos dominados ampliar as estratégias da denominada globalização contra-hegemônica através das experiências e práticas realizadas e em andamento nos planos econômicos, político, social e cultural.
A ausência de mobilização dos segmentos organizados da sociedade civil é um dos grandes males da atualidade. Sem ação coordenada entre elas, não haverá grande e profunda mudança.
Retomar uma discussão sobre a educação popular. Reviver a pesquisa-participante e a pesquisa-ação. Entender e analisar criticamente novas conceituações teóricas, tais como: complexidade, a auto-organização, as teorias dissipativas, a teoria do caos, o pós-modernismo, o desenvolvimento sustentável, a ecologia e o meio ambiente, etc. Fortalecer e desenvolver o senso comum emancipatório – um senso comum ético – um senso comum solidário – um senso comum político – um senso comum participativo – um senso comum reencantado.
SUGESTÕES DE ALTERNATIVAS PARA TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS:
1) Tributar as transações financeiras de operação de cambio = Tobin;
2) Criar um Fundo Social com este recurso tributário;
3) Denunciar o AMI – Acordo Multilateral de Investimento e despontecializar o poder das empresas transnacionais;
4) Não refutar o novo no processo educacional e reafirmar as capacidades de análise, crítica, compreensão das multidisplinariedades e proposição de caminhos inovadores teóricos e práticos; que proporcione o conhecimento emancipatório;
5) Refundar o UNITRABALHO e uma UNIONG;
6) Questionar o tema dos créditos: para que e para quem. Prever e alocar recursos para assegurar emprego, aperfeiçoar a divisão social do trabalho, ampliar o sistema de proteção social (previdência, saúde e assistências);
7) Aplicar o balanço social nas empresas privadas e atribuindo vantagens àquelas que insiram ações para as maiorias pobres e excluídas;
8) A grande mídia deve passar por uma profunda alteração democrática, objetivando o estabelecimento de uma opinião pública consciente e participante;
9) Maximizar estudos e ações que visem o realismo utópico seja individual ou coletivo;
10) Universalização das políticas públicas e sociais;
11) Aprofundar a democratização do Estado e da Sociedade Civil;
12) Desenvolver meios eficazes de controle social, da sociedade sobre o Estado, dos membros de cada grupo, associação, movimento, etc; sobre suas instituições e entidades;
13) Transparência e visibilidade social das ações dos governos e empresas;
14) Garantir e aplicar a responsabilidade fiscal e social;
15) Instituir uma cultura cívica que garanta a cidadania plena e ativa;
16) Consolidar a democracia representativa e incorporar avanços da democracia direta: plebiscito, referendos e consultas;
17) Extirpar a corrupção, fisiologismo, o autoritarismo e o patrimonialismo;
18) Fortalecer a parceria entre Estado e Sociedade Civil;
19) Instituir os Conselhos de representantes e de gestores;
20) Dinamizar o Plano Diretor das cidades através da participação popular;
21) Democratizar o acesso aos bens produzidos;
22) Fortalecer e expandir os movimentos sociais reformistas ou transnacionais;
23) Instituir e experimentar a propriedade comunitária e autogestionária;
24) Avançar no multiculturalismo, no respeito ao diferente, na ênfase às culturas híbridas e novas culturas urbanas.
Luiz Eduardo Wanderley
In "Alternativas à Crise" Editora Cortez.
comentários em italico é de minha responsabilidade.
Crise = ruptura, fratura, desconfiança, pânico, pessimismo, sentimento emocional, transição, conflito, tensão; pode atingir todas as dimensões da sociedade – econômicas, políticas, sociais, culturais, religiosas.
A crise pode ser: 1) estrutural ou conjuntural; 2) parcial ou sistêmica; 3) curta, media ou longa duração.
A conjuntural e parcial são permanentes, com impactos maiores ou menores.
Já a estrutural e sistêmica abalam os alicerces, os fundamentos, os valores, as interpretações, e são mais esporádicas.
E a crise estrutural ou conjuntural parcial e de media duração? O que muda na sociedade neste quadro de crise? A crise sistêmica e de media duração o que gera no meio social?
Existe crise conjuntural e sistêmica? O casamento! Ou a própria vida é crise conjuntural e estrutural sistêmica e de longa duração? Se for verdade a premissa, não devemos temer ou evitar a crise, pois faz parte e é essencial ao ser humano.
A crise atual é interpretada de forma generalizada que é estrutural e atinge pilares básicos do neoliberalismo. Mas é preciso ter cautela sobre as respostas e os efeitos da crise, pois interpretações convergem e divergem espetacularmente.
No campo dominante a crise é sistêmica, necessita de regulação dos mercados financeiros, o Estado deve acudir o sistema bancário, não se deve combater o liberalismo, o capitalismo será mais forte. O cassino das bolsas continua a propiciar ganhos extraordinários através da especulação financeira e não da produção. Para eles basta regular e dar trilhões de dinheiros aos bancos e o sistema estará salvo, com a volta da confiança e da normalidade do sistema falido. Suspiram e acenam com a necessidade de um crescimento mais justo e humano, com boa governança, mais liberdade e menos pobreza e instabilidade. Mas não querem pagar a conta de modo algum, quem deve pagar são os bilhões de pobres do planeta.
Assim é fácil, muito fácil cometer erro e quem paga por esse é o vizinho. Penso que são uns grandes caras de pau os defensores da tese. Não falam em novo conceito de propriedade, não falam em fortalecer o setor produtivo, não fala em novo padrão de consumo, não falam em Estado forte para combater as grandes multinacionais, não falam em quebrarem patentes, não falam em novo conceito de trabalho e sua remuneração melhor diante da intensidade, enfim, nada de inovar ou repartir bens, direitos e propriedades. Nada de concreto é proposto como elevação da tributação dos ricos, quebra dos paraísos fiscais, limite de ganhos e de acumulo de riqueza. Conceitos como solidariedade tributária, igualdade de oportunidades e limites nos acúmulos de renda e propriedade, respeito sincero e proativo em favor do ser humano. Não são considerados e nem mencionados por estes grandes iluminados.
Nos EUA estimasse que fosse preciso 1,5 trilhão para recapitalizar o sistema bancário. No dia 21 de abril o FMI estima que são preciso 4,5 trilhões para salvar os bancos nos EUA, Europa e Japão. Georges Soros o grande defende que é preciso ter um banco bom e firme e outro que receba os papeis podres dos demais. Não podem ter prejuízos estes povos bons e generosos do mundo financeiro. Abnegados do ter.
O mundo, na visão do autor, esta dividido entre dominantes e dominados; pobres e ricos. Esta é a melhor forma de dividir a sociedade mundial? Penso que sim. Melhor do que raça ou naturalidade.
Caso curioso é o da Suíça e a tolerância dos poderosos com sua estratégia de crescimento econômico que á o esconderijo do dinheiro sujo gerado no planeta. Até a crise atual o paraíso fiscal era tolerado e estimulado = liberdade do dinheiro pelo mundo. Esta estratégia é como a do petróleo hoje no Brasil, ou seja, burra.
No campo dos dominados ampliar as estratégias da denominada globalização contra-hegemônica através das experiências e práticas realizadas e em andamento nos planos econômicos, político, social e cultural.
A ausência de mobilização dos segmentos organizados da sociedade civil é um dos grandes males da atualidade. Sem ação coordenada entre elas, não haverá grande e profunda mudança.
Retomar uma discussão sobre a educação popular. Reviver a pesquisa-participante e a pesquisa-ação. Entender e analisar criticamente novas conceituações teóricas, tais como: complexidade, a auto-organização, as teorias dissipativas, a teoria do caos, o pós-modernismo, o desenvolvimento sustentável, a ecologia e o meio ambiente, etc. Fortalecer e desenvolver o senso comum emancipatório – um senso comum ético – um senso comum solidário – um senso comum político – um senso comum participativo – um senso comum reencantado.
SUGESTÕES DE ALTERNATIVAS PARA TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS:
1) Tributar as transações financeiras de operação de cambio = Tobin;
2) Criar um Fundo Social com este recurso tributário;
3) Denunciar o AMI – Acordo Multilateral de Investimento e despontecializar o poder das empresas transnacionais;
4) Não refutar o novo no processo educacional e reafirmar as capacidades de análise, crítica, compreensão das multidisplinariedades e proposição de caminhos inovadores teóricos e práticos; que proporcione o conhecimento emancipatório;
5) Refundar o UNITRABALHO e uma UNIONG;
6) Questionar o tema dos créditos: para que e para quem. Prever e alocar recursos para assegurar emprego, aperfeiçoar a divisão social do trabalho, ampliar o sistema de proteção social (previdência, saúde e assistências);
7) Aplicar o balanço social nas empresas privadas e atribuindo vantagens àquelas que insiram ações para as maiorias pobres e excluídas;
8) A grande mídia deve passar por uma profunda alteração democrática, objetivando o estabelecimento de uma opinião pública consciente e participante;
9) Maximizar estudos e ações que visem o realismo utópico seja individual ou coletivo;
10) Universalização das políticas públicas e sociais;
11) Aprofundar a democratização do Estado e da Sociedade Civil;
12) Desenvolver meios eficazes de controle social, da sociedade sobre o Estado, dos membros de cada grupo, associação, movimento, etc; sobre suas instituições e entidades;
13) Transparência e visibilidade social das ações dos governos e empresas;
14) Garantir e aplicar a responsabilidade fiscal e social;
15) Instituir uma cultura cívica que garanta a cidadania plena e ativa;
16) Consolidar a democracia representativa e incorporar avanços da democracia direta: plebiscito, referendos e consultas;
17) Extirpar a corrupção, fisiologismo, o autoritarismo e o patrimonialismo;
18) Fortalecer a parceria entre Estado e Sociedade Civil;
19) Instituir os Conselhos de representantes e de gestores;
20) Dinamizar o Plano Diretor das cidades através da participação popular;
21) Democratizar o acesso aos bens produzidos;
22) Fortalecer e expandir os movimentos sociais reformistas ou transnacionais;
23) Instituir e experimentar a propriedade comunitária e autogestionária;
24) Avançar no multiculturalismo, no respeito ao diferente, na ênfase às culturas híbridas e novas culturas urbanas.
domingo, 25 de outubro de 2009
Ontem
A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, promoveu o seminário internacional "Instituições para a Inovação", em agosto de 2008, no Rio de Janeiro, transcrevo o 2º Painel.
Painel 2 – Inovação e Desigualdade: o imperativo da inovação permanente como maneira de lutar contra a desigualdade ou de fugir a essa luta.
Marcio Pochmann:
Sustentada na interpretação do papel dos progressistas no séc. 21. Há uma inegável oportunidade de um novo padrão civilizatório. A inovação para enfrentar a desigualdade implica em considerar duas questões: 1) entendimento sintético das lições da historia dos últimos 200 anos; pós-sociedade urbano-industrial – onde os progressistas de então deu origem ao estagio em que se encontramos. Trabalho na sociedade agrário ocupava 70% a 80% da vida. A partir de 1791 do evento francês quando o avanço do padrão civilizatório. E a segunda parte são as possibilidades de inovação para o enfrentamento das desigualdades na sociedade pós-industrial, que hora estamos construindo. Libertar o homem do trabalho heterônomo. Marx alertou que a liberdade começa quando termina o trabalho para a sobrevivência.
As duas lições que tiramos da história: 1) profundos ganhos de produtividade material industrial, pela divisão de trabalho e pelo acirramento da competição capitalista, o que abriu novos padrões de civilização. Dois são os eixos: processos revolucionários ou reformistas. Sociedades com experiência da revolução: inglesa, americana e francesa (mudaram a estrutura da propriedade) – burguesa ou as de cunho socialistas: russa e chinesa.
A segunda via de transformação de repartição dos ganhos materiais é o reformista. Sendo a reforma fundiária, tributaria e social. Os pilares das mudanças.
O Brasil não passou por revolução e adia as reformas clássicas. Mesmo com o advento da Constituição Federal o país pouco avançou nas últimas três décadas.
As possibilidades para os avanços da inovação para enfrentar as desigualdades. Tem a maior parte da geração de riqueza o setor terciário – na sociedade pós-industrial. As questões que temos que reconhecer: 1) o núcleo dinâmico da economia moderna é a propriedade imaterial; trabalho fora do local do trabalho – trabalho de concepção qualquer horário e local – é a riqueza não esta sendo repartida e sem regulação. Num PIB mundial de 48 trilhões – as fontes imateriais geram uma riqueza de 200 trilhões. O que resulta numa concentração de riqueza em expansão. Pode proporcionar um novo padrão civilizatório. Temos condições técnicas de 12 hs de jornada de trabalho; ingresso no mercado de trabalho acima dos 25 anos.
Os constrangimentos a esse novo padrão civilizatório estão associados ao: 1) impacto da mudança da produção material (economia do ter) do padrão fordista para toyotista com planejamento central, ou seja, da América para a Ásia. Será a Ásia este pólo gerador de oportunidades? 2) obstáculo à pequenez estrutura de governança mundial. Incapaz de enfrentar as grandes corporações. Um mundo onde 500 corporações dominam a economia mundial. O Brasil tem um PIB equivalente a três faturamentos das três maiores empresas do mundo. A Petrobrás tem um faturamento superior ao PIB da Argentina.
O que temos para esta realidade? O sistema ONU é disfuncional diante da concentração econômica. A ONU pós 2ª Guerra Mundial foi criada para nações. E as 500 maiores empresas quem governa? Uma realidade onde 50% da riqueza do mundo esta nas mãos de 1,2 milhões de família, para um mundo que tem 1 bilhão e 500 milhões de famílias. (ex. da cidade de 5 mil habitantes onde grande empresa contratar 4 mil trabalhadores. Quem governa o prefeito ou o presidente .
O terceiro ponto é a degradação da natureza. O modelo de riqueza e consumo dos paises ricos não é a melhor solução. Com conseqüências inimagináveis como o aquecimento global.
Força política e social capaz de protagonizar a nova construção de um novo padrão civilizatório. Se no século 19 o fundo publico representava 5% da riqueza, hoje 20 a 35%, penso que 2/3 da riqueza seja fundo público para este novo padrão de civilização. Mas quem terá força política? É o tema para os progressistas.
Margarita Stolbizer líder do Partido da Generacion para Encuentro Nacional:
Minha contribuição é uma visão política. Distinta da visão acadêmica. Eu apresento como inovação ferramenta de luta para melhorar as desigualdades. A inovação é um objeto que pode aprofundar essas desigualdades. Mas na verdade é que a inovação é a sua finalidade.
Igualdade de oportunidades econômicas, social, educativas, para a vida. E ai as prioridades de uma agenda que ponha as inovações como ferramenta. Progressista deve escolher a agenda prioritária e geri-la, gestão, de forma real.
Eu proponho dois caminhos: 1) aprofundar a democracia – o poder democrático – participação popular – na tomada de decisões e controle de gestão – maior cidadania – direito de acesso a informação aperfeiçoa a democracia com a participação popular e no exercício do poder – a inclusão é ação que dá cidadania – construção da cidadania é aumentar este acesso à informação – acesso aos direitos – o funcionamento do Estado como uma caixa transparente onde todos os cidadãos possam saber o que se passa lá dentro –
O 2 caminho é pensar a inovação como o acesso a educação é um instrumento que pode diminuir a desigualdade. Romper o ciclo de que família pobre será pobre. Apenas 29% da juventude latino-americana entram na universidade. Em meu país percebemos que a maior parte dos infratores penais possui tão somente o 2º grau. O acesso à técnica é restrito a um pequeno grupo, o que só faz aprofundar as desigualdades.
O papel do Estado deve entrar neste campo através da articulação e formulação de políticas públicas que façam diminuir a desigualdade. Dar um sentido a discussão é dar sentido – para acabar com a pobreza não devemos matar os pobres - responsabilidade solidária é pensar o futuro e se constrói a partir do que fizermos hoje.
Prof. Sam James da Universidade Columbia –
Vejo poucas criticas as teorias do Mangabeira, já que algumas delas precisam de explicações. Ele prega um conjunto de problemas presentes, sem distinção: norte – sul – leste e oeste. Conexão entre desigualdade e inovação institucional, inspirada pela necessidade de mercado desmercantizada. É insuficiente a dimensão moral para tratar das desigualdades e dar impulso a qualquer programa progressista. E dar-lhe motivação jurídica, política e social.
Um programa baseado em transferências e taxas pode naufragar, diante dos inimigos. As desigualdades temporárias há pouco nível de recursos e oportunidades. Pode existir uma quantidade de desigualdade multiplicada pelo fator comum. Assimetria entre as desigualdades é que pode causar uma enorme diferença. O inovador vantagem comparativa é o propulsor da diminuição das desigualdades.
A inclusão dos excluídos cria uma oportunidade. Porém os seres humanos são apegados ao apoderamento. O drama da luta do custo da inclusão é a obscuridade aos efeitos da ação que promove a inclusão. Vantagem produtiva e a inclusão progressiva qual é a estratégia?
Dois exemplos estão na Índia rural. O exemplo comum depende do subsídio social. Os pequenos fazendeiros da Índia foram beneficiados por crédito, no início da década 70/80, foi aumentando de falta de alimentos para exportar alimentos. A mão do Estado foi essencial para isso. A forma cooperativa de laticínios na Índia também proporcionou grandes resultados. Aqui pouca importância foi dada ao subsídio.
No mundo global o comércio deve proporcionar uma melhora aos trabalhadores.
E a experiência é o que irá determinar o sucesso ou não da ação.
Pergunta de Luis Fernando Queiroz para Cornel West:
- O Brasil se diz o maior país católico do mundo. É possível, é desejável usar esta religiosidade para gerar uma grande transformação da sociedade? E como fazer?
Resposta – Religião do latim religare – goma comum. Como juntar o povo diante do interesse público? Sabemos que a religião tem historia de barbaridade, fanatismo, etc Por outro lado à possibilidade profética da religião que fala de compaixão, justiça, esperança e essas religiões podem contribuir. Nos EUA não é possível desconsiderar os profetas da religião.
Religião é uma força profética!
Ministro Mangabeira Unger:
Eu me preocupo com a impressão que pode ser criada e que a idéia de um novo modelo includente seja apenas o anúncio de uma intenção piedosa, a que não corresponda ao conteúdo prático.
Assim argumento que existe hoje um grande espectro de países, mais ou menos desenvolvidos, um programa minimalista dos progressistas. Em primeiro lugar, pois seus elementos são convencionais, conhecidos. Exigiria avanços modestos em relação as praticas já estabelecidas. Em segundo lugar é minimalista, pois apela a motivação, ideais, amplamente divulgados na vida contemporânea. Mas ao mesmo tempo em que é minimalista é radical. A adoção deste programa representaria uma ruptura na sociedade contemporânea e ajudaria a consolidar a terceira esquerda.
(1º) Instrumentalizar as pequenas empresas as iniciativas empreendedoras dispersas que se prolifera nas sociedades contemporâneas. Não deixar que torne a forma tradicional da propriedade familiar isolada. O primeiro ponto institucional é o Estado e o pequeno produtor (EUA regula a distancia e na Ásia impõe uma política industrial) uma forma de coordenação estratégica pluralista, descentralizada e participativa e experimental. O Estado abrir acesso às tecnologias, crédito e as práticas avançadas. O segundo atributo decisivo Um novo modelo jurídico da propriedade privada e social, que facilite a concorrência e a cooperação. Para que estes empreendimentos descentralizados possam competir e cooperar ao mesmo tempo, ganhando economia de escala pela cooperação.
A relação do capital e trabalho pautado pelo interesse das maiorias, não da minoria. Reforma das relações do trabalho que tire metade da população ativa da informalidade, por meio de uma reforma tributaria e aprofundar a microeconômica. Com um novo estatuto legal que proteja, organize e represente os trabalhadores temporário, terceirizado ou não assalariado.
Democratizar o acesso à inovação tecnológica. O Estado deve mobilizar os seus poderes a favor da inovação muito além do que faz atual. O joint-venture privado o Estado faz uma mímica e o regime das patentes, não tenha que passar pelo regime de propriedade e exclusão.
A quarta diretriz é uma grande dos rumos da educação publica. Orientadas pela gestão local que associe os três níveis da federação, quando um sistema educacional local é defeituoso.
É um novo paradigma conceitual e o pratico.
Serviços públicos. O Estado permitir que serviço público seja feito por iniciativa privada, sob a coordenação e fiscalização do Estado.
A sexta é criar mecanismos institucionais que permita romper os impasses e facilitar a construção de contra-modelos de divergências em território ou economia. A sociedade criando um caminho alternativo. Combinar a democracia indireta com a direta. A minha tese é a seguinte que um programa construído com estas 6 diretrizes é viável. Representa um projeto de uma esquerda que não quer apenas humanizar o mercado. A motivação que orienta esta não é só diminuir a desigualdade e de elevar as massas a um status de libertação.
Glauco Arbix:
O debate sobre inovação institucional incorpora distintas áreas: no Estado, na sociedade, ciência,... O Robin Morre alertou e eu sigo que devemos buscar a sedimentação do painel, para convergir em algumas das idéias.
O papel importante do PT que foi uma inovação institucional e que passa despercebida por nós. E a realidade das idéias e as idéias que possam ter realidade.
Prof. Julian Le Grand Scholl de Londres -
Um programa minimalista e progressista. Duas idéias de contato com esse programa. As idéias não tocaram na questão da propriedade da riqueza, mais que a renda ou a educação.
As desigualdades das riquezas entre os países e no interior dos países são muito grandes. O desafio é pensar no que fazer para diminuir essa desigualdade da riqueza. Uma delas é o micro-crédito e seus resultados. Outra é as idéias econômicas de Hernando le Sotto. Os pobres da América Latina possuem ativos, porém não existem direitos sobre eles. Dando a eles instrumentos pelo Estado. E a terceira idéia a européia toda criança que nasce recebe uma dotação financeira. Certo valor pequeno é depositado numa conta que só pode a criança mexer aos 18 anos. Reino Unido, Cingapura.
Prof. Vladimir Popov da Nova Escola Econômica –
Pergunta a todos os membros do painel. Desigualdade e democracia. O papel de advogado do diabo que é uma inconsistência entre a desigualdade de renda e a democratização. Temos 86 bilionários mais que no Brasil. Nos países em desenvolvimento a democratização aprofunda a desigualdade de rendas. Há país do mundo que a queda das desigualdades acontece.
Ministro Ahmed Lahlimi Alami do Marrocos –
A definição de um programa é excelente. Mas é uma excitação, pois os socialistas não estão no poder.
A situação dos partidos socialistas está em defasagem diante do programa. A queda do Muro e a Globalização tomaram os partidos de esquerda de espanto. Porém este programa não tem apelo aos jovens ascendentes que só falam em competição, mananger, etc. Que discurso é este? Que podemos participar do poder e romper as práticas e valores que dominam. Os organismos internacionais também estão envolvidos nesta dinâmica. O que poderia se tornar um novo, um compromisso histórico no contexto da economia globalizada.
No Marrocos devemos analisar, iremos tentar subsidiar os preços dos alimentos e do petróleo. Mas este subsídio favoreceu mais os ricos que os pobres. Política de subversão foi impossível de realizar. No Marrocos 50% do orçamento não esta alcançando os resultados esperados. Daí se criou o movimento de lutas para o desenvolvimento nacional. Com iniciativas que ajudassem os pequenos. Após avaliação independente a pobreza relativa foi de 14 para 9%, porém as taxas nas zonas onde a política foi aplicada o índice de queda foi maior. Menos pra a classe média e muito mais para os pobres e os ricos. Ai tivemos um novo problema a classe média.
Antonio Barros de Castro:
Vou selecionar alguns ângulos daquilo já discutido. Uma revisão e radicalização de agenda.
A dificuldade enorme que eu sinto a uma alteração de agenda e revisão radicalizante, sem ter em conta as tendências relevadas por esta economia revelada nos últimos anos e o que mudou nos últimos anos.
Temos uma história muito densa presente e diante de uma agenda carregada mais carregada.
O concreto é o seguinte, quatro questões: ascensão da China como pólo da transação comercial do comércio mundial, tem efeitos fortes sobre o Brasil e nós coloca uma carga brutal, o que não acontecia a 5 anos atrás. O Brasil possui um sistema industrial diversificado e esta estrutura a certa medida esta colocada em questão pela competividade.
Segundo o Brasil se viu dotado de uma grande riqueza de recursos naturais e hoje, o país é super dotado. Ameaça de um lado e super dotado de outro. Terceiro ponto o país emerge de 1/4 de século de estagnação, o que coloca uma pauta a ser enfrentada. O sistema financeiro e o crédito estão dando saltos, com imensas relações inclusive com a questão das desigualdades. Como resolver esta herança? Qualquer mudança de agenda deve avaliar as vantagens e desvantagens.
Outra questão durante algumas décadas o Estado brasileiro que era atuante e intervencionista, foi reduzido nas últimas décadas. A emergência deste Estado enriquece o quadro das opções políticas públicas. Finalizo que os problemas a ser enfrentado, têm que levar em conta a velocidade. Petróleo e etanos são enormes possibilidades para a economia. No caso etanol podemos fazer mais o que o mundo quer. E no petróleo temos uma velocidade menor diante do que o mundo quer.
As grandes escolhas a fazer no existente já é uma pauta carregada.
Joel Netshitenzhe Chefe da Casa Civil da África do Sul –
O desafio da desigualdade. Quando da democratização em nosso país, vimos que a desigualdade entre raças foi se estreitando, a educação também, e as desigualdades entre as raças, como na raça negra que se ampliou. As desigualdades parecem estar na sociedade – 10% mais ricos da população tiraram mais frutos do crescimento. Programas reativos para lidar com tudo isso?
A qualidade da educação para os pobres para romper com a reprodução da pobreza é uma ação positiva.
O fenômeno global com a apropriação dos frutos do trabalho, especialmente, com os pacotes das grandes companhias, piorando das relações entre as nações. Esta apropriação do fruto do trabalho pelas grandes companhias, o que pode ser feito? E as vantagens que surgem primeiro lidar com a desigualdade no contexto positivo.
Painel 2 – Inovação e Desigualdade: o imperativo da inovação permanente como maneira de lutar contra a desigualdade ou de fugir a essa luta.
Marcio Pochmann:
Sustentada na interpretação do papel dos progressistas no séc. 21. Há uma inegável oportunidade de um novo padrão civilizatório. A inovação para enfrentar a desigualdade implica em considerar duas questões: 1) entendimento sintético das lições da historia dos últimos 200 anos; pós-sociedade urbano-industrial – onde os progressistas de então deu origem ao estagio em que se encontramos. Trabalho na sociedade agrário ocupava 70% a 80% da vida. A partir de 1791 do evento francês quando o avanço do padrão civilizatório. E a segunda parte são as possibilidades de inovação para o enfrentamento das desigualdades na sociedade pós-industrial, que hora estamos construindo. Libertar o homem do trabalho heterônomo. Marx alertou que a liberdade começa quando termina o trabalho para a sobrevivência.
As duas lições que tiramos da história: 1) profundos ganhos de produtividade material industrial, pela divisão de trabalho e pelo acirramento da competição capitalista, o que abriu novos padrões de civilização. Dois são os eixos: processos revolucionários ou reformistas. Sociedades com experiência da revolução: inglesa, americana e francesa (mudaram a estrutura da propriedade) – burguesa ou as de cunho socialistas: russa e chinesa.
A segunda via de transformação de repartição dos ganhos materiais é o reformista. Sendo a reforma fundiária, tributaria e social. Os pilares das mudanças.
O Brasil não passou por revolução e adia as reformas clássicas. Mesmo com o advento da Constituição Federal o país pouco avançou nas últimas três décadas.
As possibilidades para os avanços da inovação para enfrentar as desigualdades. Tem a maior parte da geração de riqueza o setor terciário – na sociedade pós-industrial. As questões que temos que reconhecer: 1) o núcleo dinâmico da economia moderna é a propriedade imaterial; trabalho fora do local do trabalho – trabalho de concepção qualquer horário e local – é a riqueza não esta sendo repartida e sem regulação. Num PIB mundial de 48 trilhões – as fontes imateriais geram uma riqueza de 200 trilhões. O que resulta numa concentração de riqueza em expansão. Pode proporcionar um novo padrão civilizatório. Temos condições técnicas de 12 hs de jornada de trabalho; ingresso no mercado de trabalho acima dos 25 anos.
Os constrangimentos a esse novo padrão civilizatório estão associados ao: 1) impacto da mudança da produção material (economia do ter) do padrão fordista para toyotista com planejamento central, ou seja, da América para a Ásia. Será a Ásia este pólo gerador de oportunidades? 2) obstáculo à pequenez estrutura de governança mundial. Incapaz de enfrentar as grandes corporações. Um mundo onde 500 corporações dominam a economia mundial. O Brasil tem um PIB equivalente a três faturamentos das três maiores empresas do mundo. A Petrobrás tem um faturamento superior ao PIB da Argentina.
O que temos para esta realidade? O sistema ONU é disfuncional diante da concentração econômica. A ONU pós 2ª Guerra Mundial foi criada para nações. E as 500 maiores empresas quem governa? Uma realidade onde 50% da riqueza do mundo esta nas mãos de 1,2 milhões de família, para um mundo que tem 1 bilhão e 500 milhões de famílias. (ex. da cidade de 5 mil habitantes onde grande empresa contratar 4 mil trabalhadores. Quem governa o prefeito ou o presidente .
O terceiro ponto é a degradação da natureza. O modelo de riqueza e consumo dos paises ricos não é a melhor solução. Com conseqüências inimagináveis como o aquecimento global.
Força política e social capaz de protagonizar a nova construção de um novo padrão civilizatório. Se no século 19 o fundo publico representava 5% da riqueza, hoje 20 a 35%, penso que 2/3 da riqueza seja fundo público para este novo padrão de civilização. Mas quem terá força política? É o tema para os progressistas.
Margarita Stolbizer líder do Partido da Generacion para Encuentro Nacional:
Minha contribuição é uma visão política. Distinta da visão acadêmica. Eu apresento como inovação ferramenta de luta para melhorar as desigualdades. A inovação é um objeto que pode aprofundar essas desigualdades. Mas na verdade é que a inovação é a sua finalidade.
Igualdade de oportunidades econômicas, social, educativas, para a vida. E ai as prioridades de uma agenda que ponha as inovações como ferramenta. Progressista deve escolher a agenda prioritária e geri-la, gestão, de forma real.
Eu proponho dois caminhos: 1) aprofundar a democracia – o poder democrático – participação popular – na tomada de decisões e controle de gestão – maior cidadania – direito de acesso a informação aperfeiçoa a democracia com a participação popular e no exercício do poder – a inclusão é ação que dá cidadania – construção da cidadania é aumentar este acesso à informação – acesso aos direitos – o funcionamento do Estado como uma caixa transparente onde todos os cidadãos possam saber o que se passa lá dentro –
O 2 caminho é pensar a inovação como o acesso a educação é um instrumento que pode diminuir a desigualdade. Romper o ciclo de que família pobre será pobre. Apenas 29% da juventude latino-americana entram na universidade. Em meu país percebemos que a maior parte dos infratores penais possui tão somente o 2º grau. O acesso à técnica é restrito a um pequeno grupo, o que só faz aprofundar as desigualdades.
O papel do Estado deve entrar neste campo através da articulação e formulação de políticas públicas que façam diminuir a desigualdade. Dar um sentido a discussão é dar sentido – para acabar com a pobreza não devemos matar os pobres - responsabilidade solidária é pensar o futuro e se constrói a partir do que fizermos hoje.
Prof. Sam James da Universidade Columbia –
Vejo poucas criticas as teorias do Mangabeira, já que algumas delas precisam de explicações. Ele prega um conjunto de problemas presentes, sem distinção: norte – sul – leste e oeste. Conexão entre desigualdade e inovação institucional, inspirada pela necessidade de mercado desmercantizada. É insuficiente a dimensão moral para tratar das desigualdades e dar impulso a qualquer programa progressista. E dar-lhe motivação jurídica, política e social.
Um programa baseado em transferências e taxas pode naufragar, diante dos inimigos. As desigualdades temporárias há pouco nível de recursos e oportunidades. Pode existir uma quantidade de desigualdade multiplicada pelo fator comum. Assimetria entre as desigualdades é que pode causar uma enorme diferença. O inovador vantagem comparativa é o propulsor da diminuição das desigualdades.
A inclusão dos excluídos cria uma oportunidade. Porém os seres humanos são apegados ao apoderamento. O drama da luta do custo da inclusão é a obscuridade aos efeitos da ação que promove a inclusão. Vantagem produtiva e a inclusão progressiva qual é a estratégia?
Dois exemplos estão na Índia rural. O exemplo comum depende do subsídio social. Os pequenos fazendeiros da Índia foram beneficiados por crédito, no início da década 70/80, foi aumentando de falta de alimentos para exportar alimentos. A mão do Estado foi essencial para isso. A forma cooperativa de laticínios na Índia também proporcionou grandes resultados. Aqui pouca importância foi dada ao subsídio.
No mundo global o comércio deve proporcionar uma melhora aos trabalhadores.
E a experiência é o que irá determinar o sucesso ou não da ação.
Pergunta de Luis Fernando Queiroz para Cornel West:
- O Brasil se diz o maior país católico do mundo. É possível, é desejável usar esta religiosidade para gerar uma grande transformação da sociedade? E como fazer?
Resposta – Religião do latim religare – goma comum. Como juntar o povo diante do interesse público? Sabemos que a religião tem historia de barbaridade, fanatismo, etc Por outro lado à possibilidade profética da religião que fala de compaixão, justiça, esperança e essas religiões podem contribuir. Nos EUA não é possível desconsiderar os profetas da religião.
Religião é uma força profética!
Ministro Mangabeira Unger:
Eu me preocupo com a impressão que pode ser criada e que a idéia de um novo modelo includente seja apenas o anúncio de uma intenção piedosa, a que não corresponda ao conteúdo prático.
Assim argumento que existe hoje um grande espectro de países, mais ou menos desenvolvidos, um programa minimalista dos progressistas. Em primeiro lugar, pois seus elementos são convencionais, conhecidos. Exigiria avanços modestos em relação as praticas já estabelecidas. Em segundo lugar é minimalista, pois apela a motivação, ideais, amplamente divulgados na vida contemporânea. Mas ao mesmo tempo em que é minimalista é radical. A adoção deste programa representaria uma ruptura na sociedade contemporânea e ajudaria a consolidar a terceira esquerda.
(1º) Instrumentalizar as pequenas empresas as iniciativas empreendedoras dispersas que se prolifera nas sociedades contemporâneas. Não deixar que torne a forma tradicional da propriedade familiar isolada. O primeiro ponto institucional é o Estado e o pequeno produtor (EUA regula a distancia e na Ásia impõe uma política industrial) uma forma de coordenação estratégica pluralista, descentralizada e participativa e experimental. O Estado abrir acesso às tecnologias, crédito e as práticas avançadas. O segundo atributo decisivo Um novo modelo jurídico da propriedade privada e social, que facilite a concorrência e a cooperação. Para que estes empreendimentos descentralizados possam competir e cooperar ao mesmo tempo, ganhando economia de escala pela cooperação.
A relação do capital e trabalho pautado pelo interesse das maiorias, não da minoria. Reforma das relações do trabalho que tire metade da população ativa da informalidade, por meio de uma reforma tributaria e aprofundar a microeconômica. Com um novo estatuto legal que proteja, organize e represente os trabalhadores temporário, terceirizado ou não assalariado.
Democratizar o acesso à inovação tecnológica. O Estado deve mobilizar os seus poderes a favor da inovação muito além do que faz atual. O joint-venture privado o Estado faz uma mímica e o regime das patentes, não tenha que passar pelo regime de propriedade e exclusão.
A quarta diretriz é uma grande dos rumos da educação publica. Orientadas pela gestão local que associe os três níveis da federação, quando um sistema educacional local é defeituoso.
É um novo paradigma conceitual e o pratico.
Serviços públicos. O Estado permitir que serviço público seja feito por iniciativa privada, sob a coordenação e fiscalização do Estado.
A sexta é criar mecanismos institucionais que permita romper os impasses e facilitar a construção de contra-modelos de divergências em território ou economia. A sociedade criando um caminho alternativo. Combinar a democracia indireta com a direta. A minha tese é a seguinte que um programa construído com estas 6 diretrizes é viável. Representa um projeto de uma esquerda que não quer apenas humanizar o mercado. A motivação que orienta esta não é só diminuir a desigualdade e de elevar as massas a um status de libertação.
Glauco Arbix:
O debate sobre inovação institucional incorpora distintas áreas: no Estado, na sociedade, ciência,... O Robin Morre alertou e eu sigo que devemos buscar a sedimentação do painel, para convergir em algumas das idéias.
O papel importante do PT que foi uma inovação institucional e que passa despercebida por nós. E a realidade das idéias e as idéias que possam ter realidade.
Prof. Julian Le Grand Scholl de Londres -
Um programa minimalista e progressista. Duas idéias de contato com esse programa. As idéias não tocaram na questão da propriedade da riqueza, mais que a renda ou a educação.
As desigualdades das riquezas entre os países e no interior dos países são muito grandes. O desafio é pensar no que fazer para diminuir essa desigualdade da riqueza. Uma delas é o micro-crédito e seus resultados. Outra é as idéias econômicas de Hernando le Sotto. Os pobres da América Latina possuem ativos, porém não existem direitos sobre eles. Dando a eles instrumentos pelo Estado. E a terceira idéia a européia toda criança que nasce recebe uma dotação financeira. Certo valor pequeno é depositado numa conta que só pode a criança mexer aos 18 anos. Reino Unido, Cingapura.
Prof. Vladimir Popov da Nova Escola Econômica –
Pergunta a todos os membros do painel. Desigualdade e democracia. O papel de advogado do diabo que é uma inconsistência entre a desigualdade de renda e a democratização. Temos 86 bilionários mais que no Brasil. Nos países em desenvolvimento a democratização aprofunda a desigualdade de rendas. Há país do mundo que a queda das desigualdades acontece.
Ministro Ahmed Lahlimi Alami do Marrocos –
A definição de um programa é excelente. Mas é uma excitação, pois os socialistas não estão no poder.
A situação dos partidos socialistas está em defasagem diante do programa. A queda do Muro e a Globalização tomaram os partidos de esquerda de espanto. Porém este programa não tem apelo aos jovens ascendentes que só falam em competição, mananger, etc. Que discurso é este? Que podemos participar do poder e romper as práticas e valores que dominam. Os organismos internacionais também estão envolvidos nesta dinâmica. O que poderia se tornar um novo, um compromisso histórico no contexto da economia globalizada.
No Marrocos devemos analisar, iremos tentar subsidiar os preços dos alimentos e do petróleo. Mas este subsídio favoreceu mais os ricos que os pobres. Política de subversão foi impossível de realizar. No Marrocos 50% do orçamento não esta alcançando os resultados esperados. Daí se criou o movimento de lutas para o desenvolvimento nacional. Com iniciativas que ajudassem os pequenos. Após avaliação independente a pobreza relativa foi de 14 para 9%, porém as taxas nas zonas onde a política foi aplicada o índice de queda foi maior. Menos pra a classe média e muito mais para os pobres e os ricos. Ai tivemos um novo problema a classe média.
Antonio Barros de Castro:
Vou selecionar alguns ângulos daquilo já discutido. Uma revisão e radicalização de agenda.
A dificuldade enorme que eu sinto a uma alteração de agenda e revisão radicalizante, sem ter em conta as tendências relevadas por esta economia revelada nos últimos anos e o que mudou nos últimos anos.
Temos uma história muito densa presente e diante de uma agenda carregada mais carregada.
O concreto é o seguinte, quatro questões: ascensão da China como pólo da transação comercial do comércio mundial, tem efeitos fortes sobre o Brasil e nós coloca uma carga brutal, o que não acontecia a 5 anos atrás. O Brasil possui um sistema industrial diversificado e esta estrutura a certa medida esta colocada em questão pela competividade.
Segundo o Brasil se viu dotado de uma grande riqueza de recursos naturais e hoje, o país é super dotado. Ameaça de um lado e super dotado de outro. Terceiro ponto o país emerge de 1/4 de século de estagnação, o que coloca uma pauta a ser enfrentada. O sistema financeiro e o crédito estão dando saltos, com imensas relações inclusive com a questão das desigualdades. Como resolver esta herança? Qualquer mudança de agenda deve avaliar as vantagens e desvantagens.
Outra questão durante algumas décadas o Estado brasileiro que era atuante e intervencionista, foi reduzido nas últimas décadas. A emergência deste Estado enriquece o quadro das opções políticas públicas. Finalizo que os problemas a ser enfrentado, têm que levar em conta a velocidade. Petróleo e etanos são enormes possibilidades para a economia. No caso etanol podemos fazer mais o que o mundo quer. E no petróleo temos uma velocidade menor diante do que o mundo quer.
As grandes escolhas a fazer no existente já é uma pauta carregada.
Joel Netshitenzhe Chefe da Casa Civil da África do Sul –
O desafio da desigualdade. Quando da democratização em nosso país, vimos que a desigualdade entre raças foi se estreitando, a educação também, e as desigualdades entre as raças, como na raça negra que se ampliou. As desigualdades parecem estar na sociedade – 10% mais ricos da população tiraram mais frutos do crescimento. Programas reativos para lidar com tudo isso?
A qualidade da educação para os pobres para romper com a reprodução da pobreza é uma ação positiva.
O fenômeno global com a apropriação dos frutos do trabalho, especialmente, com os pacotes das grandes companhias, piorando das relações entre as nações. Esta apropriação do fruto do trabalho pelas grandes companhias, o que pode ser feito? E as vantagens que surgem primeiro lidar com a desigualdade no contexto positivo.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Hoje e Amanhã.
Se por acaso ainda me faltasse razões para votar e pedir votos a Dilma, para a eleição de 2010. Só o fato de dar continuidade na maior reviravolta promovida pelo governo Lula - silenciosa, profunda, importante, não visível à maior parte da sociedade, mais tão importante para o futuro do país quanto são os programas de políticas públicas sociais e de infra-estrutura. Destaco a relevância da manutenção e do aprofundamento do rumo da atual política externa brasileira. O principal motivo que me basta para votar na mulher Dilma.
O governo que busca, de forma intensa e constante, fortalecer o MERCOSUL, aprofundar as relações entre os países do eixo Sul-Sul, a nossa atuação na África, no G4, G20 e até mesmo na nossa missão humanitária no Haiti, são exemplos reais e concretos da profunda mudança no comportamento de nosso país diante do mundo.
A relevância desta decisão de governo se traduz na ampliação da nossa soberania no caso da Amazonia, na ampliação do comércio exterior e, até mesmo, na proteção num futuro de ataques estrangeiros, em busca de nossas riquezas naturais e de nosso espaço físico. Não se iludam os que acham que a improbabilidade da hipótese ou fruto de quem sofre de surto psicótico ou adepto de teorias conspiratórias. Procuro demonstrar a seguir que não é uma coisa e nem outra. Simplesmente é o instinto de sobrevivência do ser humano que falará mais alto!
Minha análise singela, simples até, sem amparo nos fatos históricos e na evolução das teorias das relações internacionais entre os países é a seguinte: - Quando faltar pão e água na mesa da sua família. Aonde buscará suprir os meios para a sobrevivência de sua família? A resposta é: no seu vizinho!
Pois bem, quando os países mais avançados em tecnologia e no consumo de bens e produtos, tiverem escassez como, por exemplo: comida e água. Aonde estes países buscarão suprir as necessidades de sua sociedade? Resposta: no vizinho. E qual é a nossa garantia presente de que essa busca ou exploração será pacifica? Resposta: Não há garantias de que será pacifica. Nossa garantia é o fortalecimento do MERCOSUL e de nossas relações internacionais, com os países semelhantes ao nosso, nos aspectos econômicos, geográficos e de nível de desenvolvimento.
Para reafirmar a minha premissa inicial de que foi a política externa do governo Lula, a mais importante, prefiro traduzi-la nos aspectos: qualidade e quantidade dos opositores. Perceba a diferença: se no campo interno o governo enfrenta e enfrentou a oposição política para adotar o programa Bolsa Família – que assiste 12 milhões de seres humanos; oposição representanda por no máximo 1 milhão de pessoas e de algum recurso material e intelectual aderente a cópia programática. A nossa política externa enfrentou e enfrenta poderosos países e até mesmo o principal deles: os EUA – 300 milhões de habitantes e poderosos grupos econômicos e de formulação academica. Quando comparamos essas oposições de ordem política: a interna e externa. Fica cristalina a coragem do atual governo. Sem dúvida nenhuma, o governo do Lula foi mais corajoso e ousado no embate com a oposição exterior do que com a oposição interior e mais magnânimo em relação a essa!
A eventual perspectiva de mudança no rumo da política externa. Já é razão para não votar no candidato da oposição, bem como, a manutenção do sentido da atual política externa; estimula o meu ato de votar e pedir voto a Dilma, pois sei do seu compromisso de não mudar e aprofundar o modelo de atuação existente no presente.
E para manter e aprofundar a nossa política externa é preciso ter muita coragem, para enfrentar e não ceder diante dos poderosos. E a Dilma, seja no passado ou no presente, demonstrou que é possuidora da coragem necessária para o enfrentamento. Eu que desejo ver meu país continuar na posição vertical e a sociedade mais feliz. Voto Dilma.
O governo que busca, de forma intensa e constante, fortalecer o MERCOSUL, aprofundar as relações entre os países do eixo Sul-Sul, a nossa atuação na África, no G4, G20 e até mesmo na nossa missão humanitária no Haiti, são exemplos reais e concretos da profunda mudança no comportamento de nosso país diante do mundo.
A relevância desta decisão de governo se traduz na ampliação da nossa soberania no caso da Amazonia, na ampliação do comércio exterior e, até mesmo, na proteção num futuro de ataques estrangeiros, em busca de nossas riquezas naturais e de nosso espaço físico. Não se iludam os que acham que a improbabilidade da hipótese ou fruto de quem sofre de surto psicótico ou adepto de teorias conspiratórias. Procuro demonstrar a seguir que não é uma coisa e nem outra. Simplesmente é o instinto de sobrevivência do ser humano que falará mais alto!
Minha análise singela, simples até, sem amparo nos fatos históricos e na evolução das teorias das relações internacionais entre os países é a seguinte: - Quando faltar pão e água na mesa da sua família. Aonde buscará suprir os meios para a sobrevivência de sua família? A resposta é: no seu vizinho!
Pois bem, quando os países mais avançados em tecnologia e no consumo de bens e produtos, tiverem escassez como, por exemplo: comida e água. Aonde estes países buscarão suprir as necessidades de sua sociedade? Resposta: no vizinho. E qual é a nossa garantia presente de que essa busca ou exploração será pacifica? Resposta: Não há garantias de que será pacifica. Nossa garantia é o fortalecimento do MERCOSUL e de nossas relações internacionais, com os países semelhantes ao nosso, nos aspectos econômicos, geográficos e de nível de desenvolvimento.
Para reafirmar a minha premissa inicial de que foi a política externa do governo Lula, a mais importante, prefiro traduzi-la nos aspectos: qualidade e quantidade dos opositores. Perceba a diferença: se no campo interno o governo enfrenta e enfrentou a oposição política para adotar o programa Bolsa Família – que assiste 12 milhões de seres humanos; oposição representanda por no máximo 1 milhão de pessoas e de algum recurso material e intelectual aderente a cópia programática. A nossa política externa enfrentou e enfrenta poderosos países e até mesmo o principal deles: os EUA – 300 milhões de habitantes e poderosos grupos econômicos e de formulação academica. Quando comparamos essas oposições de ordem política: a interna e externa. Fica cristalina a coragem do atual governo. Sem dúvida nenhuma, o governo do Lula foi mais corajoso e ousado no embate com a oposição exterior do que com a oposição interior e mais magnânimo em relação a essa!
A eventual perspectiva de mudança no rumo da política externa. Já é razão para não votar no candidato da oposição, bem como, a manutenção do sentido da atual política externa; estimula o meu ato de votar e pedir voto a Dilma, pois sei do seu compromisso de não mudar e aprofundar o modelo de atuação existente no presente.
E para manter e aprofundar a nossa política externa é preciso ter muita coragem, para enfrentar e não ceder diante dos poderosos. E a Dilma, seja no passado ou no presente, demonstrou que é possuidora da coragem necessária para o enfrentamento. Eu que desejo ver meu país continuar na posição vertical e a sociedade mais feliz. Voto Dilma.
domingo, 18 de outubro de 2009
Ontem
Viva Jorge Mautner!
"1 A ETERNA dúvida do homem é: ir ou não ir para a tempestade. Muita gente acha abrigo na casa da grande mãe. É melhor refugiar-se no seguro, do que enfrentar o abismo. Sei que vão dizer (os bitolados) que isto é idealismo negativista, ou qualquer nome idiota. Mas não me importa. Há muito que não me importo mais com os meus inimigos superficiais, que encontraram em alguma organização da teoria a paz para os seus complexos de frustração. Eu, pelo menos, não descanso, não me perdôo. A floresta é o grande perigo. É lá que estão as feras e o grande mel, a fonte rodeada de avencas e o sexo que é mais profundo e colorido quando a chuva cai serena e triste sobre a mata".
"1 A ETERNA dúvida do homem é: ir ou não ir para a tempestade. Muita gente acha abrigo na casa da grande mãe. É melhor refugiar-se no seguro, do que enfrentar o abismo. Sei que vão dizer (os bitolados) que isto é idealismo negativista, ou qualquer nome idiota. Mas não me importa. Há muito que não me importo mais com os meus inimigos superficiais, que encontraram em alguma organização da teoria a paz para os seus complexos de frustração. Eu, pelo menos, não descanso, não me perdôo. A floresta é o grande perigo. É lá que estão as feras e o grande mel, a fonte rodeada de avencas e o sexo que é mais profundo e colorido quando a chuva cai serena e triste sobre a mata".
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